AfD VISITA A SÍRIA

Finalmente o AfD se demonstra amigável … na Síria

Yahoo Notícias Alemanha

Comentários de Jan Rübel


25  de  Março de  2018

Políticos do AfD fazem viagem à Síria. O que eles querem descobrir em 1ª mão? Aqui está um trecho de suas interessantes experiências.

Compilamos algumas impressões da situação na Síria!

Não se sabe mais no que acreditar, das “Fake News” geradas por toda a grande mídia, como, por exemplo, sobre o Oriente Médio. Para a mídia, a Síria está completamente proibida. Não é verdade!

Um grupo de audazes alemães partiu em direção ao país, a fim de abrir caminho contra o terror em virtude da [i]“Gutmenschnews”. O que um seleto grupo de viajantes políticos do AfD descobriu, deu a entender que foi tudo por vontade própria. Uma outra pergunta para a motivação de políticos fazerem turismo na Síria é checar se, de fato, muitos dos que fogem para a Alemanha são sírios. Talvez as coisas não estejam tão ruins naquele país. A palavra-chave para isso seria “Imprensa mentirosa”.Bem, por sorte, o grupo de políticos do AfD relatou sua viagem pelas mídias sociais como autênticos repórteres.

Agora falando sério. Viagens desse tipo são realmente uma chance de se aprender ou não alguma coisa. Jornalistas também realizam viagens semelhantes, mas antes de tudo, eles precisam decidir para qual região ir. Ou para aquela dominada pelos rebeldes ou para outra que está nas mãos do governo. É difícil que haja uma mudança no front com aqueles que estão predominando na guerra, então os políticos do AfD decidiram por fazer uma inspeção na zona dominada pelo governo de Assad e pousaram na capital da Síria, Damasco.

Um esboço do cotidiano

“Finalmente em Damasco”, escreveu no Twitter [ii]Christian Blex. “Estranho. Quase não há militares na fronteira com o Líbano”, completou.

Bem, há uma guerra ou não?

Será que o grupo tomou uma rota principal, enquanto que o norte e o sul foram sucessivamente bombardeados?

Tanto faz. Primeiramente,Blex observou as mulheres em Damasco. “Jeans azul, ao invés de véu.Mulheres sentadas nos bares. Em Meca, isso seria considerado inconcebível. Em [iii]Berlim-Neukölln, infelizmente, também não. E o governo apoiando “rebeldes”, os quais querem pressionar as mulheres a usarem burca”.

Não tenho a mínima idéia do que Blex, nascido em Westfalen, quis dizer. Bem como, se o governo alemão apóia rebeldes que preferem que as mulheres vistam a burca. Isso é novidade, afinal o Bundeswehr participa de ações contra o Estado Islâmico, mas talvez o deputado Blex disponha de professores de Matemática e Física que tenham acesso a tais fontes de informação.

Logo em seguida, ocorreu um encontro com o [iv]Grão-Mufti sunita da Síria, um ilustre senhor chamado Badr al-Din Hassoun. Alguns o chamam de “O Papa do Regime de Assad”. Vale ressaltar o quão é importante a separação da religião e da igreja. O AfD  agora discute com um Grão-Mufti, se o Islã não se vê como religião e se há, de acordo com a sua interpretação do Alcorão, tal separação. De qualquer modo é óbvio e claro, uma vez que o líder supremo por anos, já não é considerado mais uma autoridade teológica. “Os sírios na Alemanha sendo chamados de volta para casa”. Isso possivelmente agradaria a Blex, assim os sírios fariam rapidamente suas malas.

Uma investida pela normalidade

Damasco falando por si mesma. “Um maravilhoso passeio em Basar Suq al-Hamidyia. Encontrando muitas pessoas receptivas e simpáticas, as quais estão felizes com a nossa visita. Tudo ocorrendo de maneira descontraída por aqui …”.

Será que Blex também considera receptivos e simpáticos, os refugiados sírios na Alemanha?

Ou considera aqueles que chegaram à Alemanha apenas os imbecis e os maus?

Claro que Basar é um lugar belo e está tão calmo no momento, como um bairro precisa ser. Mas, quem sabe como é uma guerra, a reconhece, mesmo que ela esteja apenas a alguns quilômetros de distância. Blex teve uma percepção bem particular dizendo: “Quase não dá pra acreditar que milhares de homens sírios estão na Alemanha e ainda precisam recuperar suas famílias”.

O que não dá pra acreditar é a falta de percepção do mundo exterior e da esquizofrenia, os quais recaem sobre suas vítimas. Blex viu em Berlim, algo que não é, e então ele pensou que toda a Síria é como Basar Suq al-Hamidyia. Querer é poder.

Prosseguindo com o livro de viagens de Blex, onde ele conta: “Damasco é uma viagem valorosa. É o que eu posso dizer. As pessoas são corteses e a comida é ótima”. Estou conseguindo entender isso e muito bem. Os turistas alemães, os quais eu guiara por Damasco nos anos 90 ficavam igualmente entusiasmados. Hoje, os damascenos, se empenham em manterem-se o mais longe possível da guerra. É algo digno para uma medalha. Essas declarações me fazem lembrar dos prazos limites de que nós viajantes tínhamos quando se visitava a Síria. Isso muito antes da guerra.

Viver em paz também é possível quando não se há um posicionamento contra o sistema. Nenhuma crítica deve perder o seu valor e nem algo tão simples com a liberdade deve ser ultrajado. Reclamar do tratamento arbitrário dado à camarilha militar de um aparato corrupto que mantém um governante no poder, não foi fácil, mas pelo menos não houve tortura.

Infelizmente, até os viajantes que não tinham ligações políticas na Síria, vindos do Ocidente, não podiam ignorar essa opressão. Às vezes,  perseguidos políticos se aproximavam de você em um museu, na esperança de que pudessem ser ajudados. Às vezes, os contínuos silêncios dos interlocutores eram surpreendentes, quando se tratava de temas de valores substanciais.

Os interlocutores políticos do AfD, no entanto, efervescem em uma conversa fiada. O chamado “Ministro da Reconciliação Nacional” fala em uma tal de reintegração pacífica, além de também realizar conversações com a oposição. Bem, ao menos os representantes não-violentos da sociedade civil no exílio, também deveriam ser ouvidos, não?

O ministro, aparentemente analisa seus interlocutores tão primorosos, quanto os integrantes que fazem a viagem representando o AfD. Ele também teceu críticas à presença de combatentes estrangeiros apoiados pela Arábia Saudita, Catar e Turquia. Bem, mas e os combatentes estrangeiros do Hezbollah e partidários da Rússia e do Irã?

Por favor, um repórter para fazer uma pergunta delicada. Caso contrário, você será chamado de “Imprensa Mentirosa”.

Os integrantes do AfD foram para Aleppo ou Homs?

No caminho de volta ao aeroporto de Beirute, eles passaram por um dos campos de refugiados no Líbano ou  perguntaram aos sírios por que eles não estão voltando ao seu país?

Será que se trata apenas de consolidar o mito da “Mentira dos Refugiados”, segundo o qual a Síria não é mais um país do qual se deve tentar fugir?

Esse grupo de políticos do AfD ligou um pisca-alerta, qual se permite chegar a duas conclusões.Ou eles sabem mais e melhor como dar informações ou é realmente difícil se chegar aos termos de uma compreensão.

Aliás, amanhã não é apenas o dia Internacional das Mulheres, mas também o aniversário do golpe militar do Partido Baath na Síria em 1963. Isso certamente será uma grande oportunidade, prezados integrantes do AfD.

Tradução – Márcio Alexandre: http://www.ma-traducoes.webnode.com


[i] „Gutmensch“  é um termo usado para designar aqueles que ajudavam voluntariamente a chegada de refugiados.

[ii] Deputado do AfD pelo Estado de Nordheim-Westfalen.

[iii] Bairro da zona central da cidade Berlim.

[iv] Acadêmico islâmico com grande capacidade de interpretar a Charia e a Fátua.

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